Você está emAdultos com paladar de criança intrigam cientistas
Adultos com paladar de criança intrigam cientistas
É comum termos preferências por alguns alimentos e até detestarmos alguns, mas algumas vezes isso pode chegar a extremos. Leiam abaixo reportagem do Estado de São Paulo. São informações bastante úteis para quem se preocupa com o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis para si e para sua família.
18 de julho de 2010 | 0h 00 /Gustavo Chacra, correspondente em Nova York - O Estado de S.Paulo
Antipatia por certos grupos de alimentos, como frutas ou vegetais, é tratada por estudiosos como distúrbio similar a bulimia ou anorexia
Antigamente se achava que apenas as crianças implicavam com determinados alimentos e preferiam comidas como pizza, batata frita e chocolate. Mas, nos últimos anos, pesquisadores perceberam que muitos adultos mantêm hábitos considerados infantis na hora que se sentam à mesa. E, agora, a antipatia a certos grupos de alimentos tem sido tratada por estudiosos de universidades americanas e canadenses como um distúrbio alimentar similar à bulimia e anorexia.
Evitar vegetais, frutas, alimentos desconhecidos ou com temperos fortes pode causar implicações sociais e até malefícios à saúde. Há casos extremos de adultos que consomem apenas comidas de determinada cor, como branca ou amarela, em um sinal de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), segundo pesquisa do Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto, no Canadá. Assim, essas pessoas se alimentam somente de queijos, pães e massas.
Também são comuns casos de adultos com aversão a alimentos verdes, o que faz com que eliminem do cardápio alface, espinafre, rúcula e até limão, entre outros. É o que ocorre com a professora de português Marcela Brunelli, de 23 anos. "Só de pensar em morder o talo da alface fico arrepiada", relata. Outro temor de Marcela é encontrar em sua comida cebola, alimento do qual ela afirma ter "pavor".
"Chato". O Centro de Distúrbios da Alimentação da Universidade Duke (EUA), elaborou uma pesquisa para saber se um adulto é um picky eater - aquela pessoa considerada chata para comer. Dá para descrevê-la também como alguém com paladar infantil.
A primeira pergunta que faz parte da pesquisa é se a pessoa está aberta a experimentar novos pratos, dilema comum de turistas que desvendam outros Estados ou países. Enquanto para a maioria dos adultos se alimentar de novidades pode ser uma experiência gastronômica, para os "chatos" há o temor de que no prato haja algo intolerável.
Pesquisa da Universidade de Duke revela que a chatice para comer pode afetar a vida social, quando a pessoa passa a evitar também determinadas situações apenas para não ter contato com o alimento indesejado. Dessa forma, mentem para não ir a jantares ou dizem sofrer de certa doença para rejeitar um prato.
A saúde também pode ser afetada. Há adultos que chegam a retirar totalmente de seus cardápios alimentos fundamentais para o bom funcionamento do organismo, como vegetais e frutas.
Bob K. - ele não divulga seu nome completo - é fundador do Centro de Apoio aos Adultos Exigentes para Comer, que reúne americanos que evitam determinadas comidas. Bob afirma que não gosta de comer quase nada. "Gosto apenas de coisas crocantes, como batata frita. De purê de batata, não, porque é massudo", escreveu em um depoimento no seu site. "Adoro também sorvetes de baunilha. Mas sem nenhuma coisa dentro", acrescenta, ignorando o fato de o sorvete ser massudo como o purê. Bob K. bebe apenas leite achocolatado e refrigerante, as bebidas preferidas do comedores chatos.
Existem também os que acreditam que os intolerantes para comer possuem, na verdade, um paladar mais apurado. Seriam o que a psicóloga Linda Bartoshuk, da Universidade da Flórida, definiu como supertasters - pessoas com sensibilidade maior ao azedo e ao amargo, o que as leva a optar por comidas simples, como as crianças.
O chato para comer seria como um maestro, que tem uma audição mais apurada. O supertaster teria um paladar mais aguçado e se incomodaria com sabores e texturas imperceptíveis para a maioria. Daí a preferência por sanduíche, batata frita e refrigerante. Assim, o fast-food estaria para o supertaster como a música clássica para o maestro. / COLABOROU KARINA TOLEDO


Eu li esta matéria e adorei. Tenho problemas sérios com cebola crua. Acho que lembra o cheiro de "sovaco em ônibus lotado as 6 da tarde"...rs. Porém, como gosto de desafios tenho me esforçado. Já consigo comer um belo ceviche com cebolas roxas. Inacreditavelmente uso a cebola na cozinha. Como sou amante dos risotos não dá pra ficar sem a cebola. Agora, com a cebola crua.....nem pensar! Abs (saudades da torta de banana da terra).