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Sobre a Minha Avó Fazia

Quando alguém sonha com alguma coisa durante longos anos e aos poucos realiza, é uma grande alegria.
Este negócio nasceu assim.
Foi necessário viver um bom tempo trabalhando e preparando as competências para que tudo fosse construído exatamente como está, e não falo apenas do meu trabalho, falo das avós e das que vieram antes delas, que pacientemente escreveram e reescreveram as receitas e as maneiras de preparar as comidas que hoje saem do fogo de nossa cozinha.
Este espaço é um sonho que foi transformado em realidade. Nesse sonho eu imaginava um lugar agradável e que servisse uma comida com gosto da que comemos na infância. Onde as pessoas (e eu mesma) se sentissem bem e a vontade para conversarem sobre si mesmas, sobre a comida e sobre a vida.
É ainda um espaço de vida, um local de encontros de gerações, onde o antigo se reencontra com o atual e com as avós que ainda virão. Tem um alicerce do passado, mas é contemporâneo e se liga nas coisas que mudam e se renovam: novas tendências, novos ingredientes, novas receitas, novas pessoas. Acreditamos que as tradições devam ser vividas para que possam mudar, para que se transformem em novos sabores, sem perder a essência das experimentações anteriores.
Aqui oferecemos uma comida de origem familiar. Milhares de mesas foram postas e servidas, milhares de pessoas sentaram-se em família e comemoraram, conversaram, conviveram felizes para que tivéssemos a nossa vez, nosso tempero e nosso sabor.
Convido-os a dividir conosco esses momentos e lembranças. Desejamos que o alimento que produzimos aqui seja o centro da mesa em torno da qual nossos clientes possam se reunir e novamente conviver, conversar, relembrar sabores, aromas e temperos de todas as nossas avós.
Mazé Felix.
Origens...
As referências que utilizei para pintar a tela desse sonho são algumas avós e avôs:
- A avó materna Dalmansa Medola Cestari, cujo nome meu bisavô tirou de um romance muito antigo publicado em capítulos no jornal, oriunda de Treviso, norte da Itália, que me ensinou sobre paciência, carinho, pães e bolos maravilhosos.
- A avó paterna Saada Feres, de origem libanesa, que me ensinou sobre os temperos secretos, de sabores antigos e diferentes, sobre o equilíbrio e perfumes das especiarias.
- A bis-nonna Luiza Bianchi, de Lucca, Toscana, que escrevia receitas em português misturado com italiano, com ela aprendi sobre as massas e os molhos.
- A voinha Terezinha Felix, minha mãe, que sempre me estimulava a ajudar em jantares maravilhosos com bolinhos cremosos de abóbora e camarão, e que me ensinou a cozinhar para muitos, já que em casa nunca estávamos em menos de doze pessoas.
- O meu avô Raul Cestari, especialista em cafés, me ensinou a gostar da cozinha e desde os seis anos me deixava ajudá-lo a preparar os rigattonis recheados e a temperar cabrito e coelho, pratos que ele adorava fazer para agradar meu pai.
- A nonna Aurora Ambrosio, minha sogra, e que me ensinou os segredos da paciência no cozimento dos molhos, dos gnocchi e dos recheios dos raviólis feitos a mão por toda a família reunida nas manhãs de domingo e vésperas de festas.
- O nonno Cláudio Ambrosio, meu sogro, era mestre nos assados, bracciolas e antepastos, adorava ir ao mercado municipal em busca de queijos, azeitonas, vinhos e pães de qualidade, conhecia técnicas fantásticas de conservação de compotas e picles.
- O voinho Jorge Felix, meu pai, que sempre tinha um elogio e um ar de encantamento sobre as coisas que fazíamos. Adorava festas, as comilanças e conversas em torno da mesa. Sem ele meu sonho não estaria realizado.
A todos eles dedico a realização desse sonho e agradeço pela presença e ajuda constante durante todos esses anos.

